do lugar dos outros

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009


Quinto Poema do Pescador

Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos ou ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.

Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber de Deus
é sim ou não.

Manuel Alegre – Senhora das Tempestades

1 comentário:

innername disse...

não saberia dizer melhor de desconhecer deus a não ser através do mar e do céu e da terra, nem do desconhecimento de como dialogar com ele. Adoro Manuel Alegre, sobretudo, o poeta mas esta evocação á pesca (até nos céus em Alegre) fez-me lembrar da maresia de Luíza Dacosta que tem tanto mar nos olhos e tanto sal na pele.
;)
Mais um poema de Alegre que desconhecia e que me deixa, mais que alegre, mais rica face à esperança/descrédito nos/aos homens.