do lugar dos outros

do lugar dos outros

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Jasão

E que diriam às falésias os barcos arrastados
sem que nenhuma onda viesse, ou vento soprasse,
nem maré crescesse para os libertar?
Diriam: como se corta o mar,
como se fende o destino?
Ao porto a que chegamos, chegamos sem saber.
E agora, que queremos regressar, como se diz o regresso,
quantas sílabas nos cabe inventar?
Diriam.

As falésias são apenas terra nua que fende a noite.
Pode ser que saibam, pode ser que não.

Ardem as trevas e outros lugares - Helena Carvalhão Buescu

1 comentário:

Vieira Calado disse...

Saudável

a maneira como dá a conhecer

a boa literatura.

saudações poéticas.